Arminianismo ou CalvinismoEstudos Bíblicos

Discordando do Calvinismo

INTRODUÇÃO ACERCA DA SALVAÇÃO

A Salvação reside na GRAÇA mediante a revelação de Cristo em nós, e por meio da FÉ em resposta a essa graça proposta que só poderá ser concreta por meio de atitudes que a evidenciem.

Portanto, a Salvação vem de Deus (Graça), mas a resposta a essa salvação vem de nós (Fé). E a graça não é imposta, mas proposta (1 Pe 1:13), e por ser proposta, precisa ser aceita, e uma vez aceita, precisa ser mantida, e isso, até o fim. E, por sua vez, ir até o fim não estabelece “condições” à graça, mas à salvação.

Logo, a salvação tanto pode ser rejeitada (João 1:11, 12:43; Mt. 23:37, etc.) como pode ser perdida, pelo abandono definitivo da fé (apostasia),  ou, estando dela desviado, o indivíduo encontrar a morte, ou ser surpreendido pela volta de Cristo;  1 Tm. 4:1; Hb. 3:6,14; 6:1-6; 12:8; Mt. 24:13; Mc. 13:13; Fl. 1:10; 1 Pe 1:9; Gal. 5:4; 2 Tm. 4:8, e demais refers.;

E isso diz respeito a TODOS os homens: Aos antigos, sob o AT, na perspectiva da cruz; E aos do tempo da graça, no NT, na retrospectiva da cruz.

 

 1- LIVRE ARBÍTRIO

Conforme a narrativa bíblica, a “natureza” carnal é HERDADA. Porém, a NOVA NATUREZA (espiritual) é adquirida por meio da fé. Adão e Jesus representaram, diante de Deus, a humanidade (1 Cor. 15:45),  e em ambos observar-se o poder de escolha e ação segundo a própria vontade (livre arbítrio), o qual foi inerente à natureza humana, pré-lapso e pós-lapso.

Como podemos negar a existência do livre arbítrio, se foram justamente dois atos pessoais que trouxeram morte e vida à criação? A desobediência de um homem, Adão, nos trouxe a morte; mas a obediência de um homem, Jesus, nos trouxe a vida  (Rm. 5:17). Isso demonstra, inclusive, que a desobediência não é uma ação exclusiva da natureza caída, visto Adão ter desobedecido antes da queda, quando então o pecado, obviamente, ainda não estava no mundo. Assim, ir contra a vontade de Deus não encerra essa atitude a uma conseqüência do pecado, mas ao exercício da livre vontade intrínseca à natureza humana.

Há os que afirmam que o livre arbítrio precisa ser, obrigatoriamente, livre de qualquer influência. Porém, não é estar livre de influências que define o livre arbítrio, mas agir segundo a própria vontade. E, ainda que influenciado, isso não altera o fato de que as escolhas continuam sendo livres. Os que resistem ao livre arbítrio concordam que pelo menos Jesus, homem, sendo perfeito, tinha livre arbítrio, e também não negam que Jesus sempre esteve sob a “influência” de Deus. Logo, fica evidente que o livre arbítrio continua sendo livre, mesmo se ocorre sob influências. No mais, Jesus, sendo Deus, se desfez de todas as suas prerrogativas divinas, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens (Fl. 2:7), o que também corrobora com o fato que, ao fazer-se “semelhante aos homens” excetua-se apenas a natureza pecaminosa, e não o livre arbítrio que, como já vimos, estava presente em Adão, mesmo antes da queda, o que a torna um item comum a todos os homens.

Falando ainda de Cristo, se não há livre arbítrio, não há livre vontade; Se não há livre vontade, não há responsabilidade; E se não há responsabilidade, não há culpa; Se não há culpa, não há pecado; Se não há pecado, não há necessidade de perdão; Se não há necessidade de perdão, não carece de salvação; E se não carece de salvação, Jesus morreu á toa. Portanto, negar o livre arbítrio é alterar a realidade cognitiva óbvia do ser humano.

 

2- A RESPONSABILIDADE RESULTANTE DO ARBÍTRIO LIVRE

A escolha é uma atitude pessoal, independente se esteja ou não sob influências internas ou externas. Não cogitamos a “origem” da influência, mas a decisão e sua responsabilidade. Toda e qualquer atitude tomada por nós é de nossa responsabilidade, ainda que tenhamos sido influenciados interna ou externamente.

Ananias e Safira que foram “influenciados” pelo diabo para que mentissem ao Espírito Santo, foram responsabilizados e punidos pela atitude que tiveram, e ainda que a influência do diabo tenha sido considerada, a responsabilidade pela atitude não deixou de ser cobrada:

“…Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade?”  – (Atos 5:3)

Como se vê, até a responsabilidade por permitir ser influenciado lhes foi requerida, e não somente o fato de haver colocado em prática a sugestão diabólica. Isso demonstra então que a responsabilidade é resultante do arbítrio, e esse, livre.

Escolha e responsabilidade não são iguais, mas estão intrinsecamente ligadas, sendo uma resultante da outra. Não há como atribuir responsabilidade ao que não tem livre escolha, mas ao que tem livre escolha a responsabilidade lhe é atribuída. Eva foi responsabilizada pelo seu ato, ainda que o fato de ter sido enganada também fora considerado:

“..E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto?… (…)..Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.” – (Gn.e3:13,16)

“…Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia,..” (2 Cor. 11:3)

Logo, mesmo reconhecida a influência pelo ato, não isentou-se a responsabilidade nem omitiu-se a aplicação da pena. Assim, se a responsabilidade foi cobrada, é porque a liberdade de escolha foi identificada.

 

3- RESPONSABILIDADE E CONSCIÊNCIA

A base do trono de Deus não poderia ser “justiça e juízo” (Sl. 97:2) se Ele privasse alguém de escolhas, e mesmo assim o responsabilizasse pelos seus atos. O princípio que o Calvinismo omite é o que permeia TODA a Escritura: Deus dá a cada um SEGUNDO AS SUAS OBRAS. É assim que Deus julga o homem. (Rm. 2:6, Sl. 62:12, Ap. 22:12, Jó 34:11, Mt. 16:27, Ap. 2:23, Pv. 24:29, Ap. 20:13, 1 Pe 1:17, Jr. 17:10, Jr. 32:19, Pv. 24:12, Is. 59:18, 2 Cor. 5:10, etc. e etc….  –

Uma vez demonstrado que a justiça de Deus se opera na vida do homem por meio da responsabilidade de seus atos, é completamente inexistente a possibilidade de que o homem não tenha poder sobre sua vontade, sendo essa justamente a causa da responsabilidade.

Justiça é, por definição, dar a cada um o que lhe é por direito; e Juízo é, por definição, a aplicação da justiça. Assim, nada mais óbvio e “justo” que Deus julgue os homens pelos seus atos, pois o homem TEM RESPONSABILIDADE por eles. Se não tivesse, não haveria NENHUMA JUSTIÇA em puni-lo por aquilo que ele, na verdade, não é RESPONSÁVEL.

A Bíblia diz que os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão (Rm. 2:12). E isso, dentro de um contexto onde a “responsabilidade” é imputada não pela falta de conhecimento da “lei”, mas por serem inescusáveis quanto ao testemunho da própria criação:

“…Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis.”  – (Rm. 1:20)

E ainda,

“…Porquanto, TENDO CONHECIDO a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.” – (Rm. 1:21)

Portanto, Deus sempre deu testemunho de si, tanto pela natureza como pela consciência, não havendo assim desculpas para a ignorância, mas a implicação da responsabilidade mediante a liberdade. Assim, ainda que inclinados à carne, a consciência é livre, e, se não fosse, Deus não condenaria os que a negligenciam, pois diz

“..pois tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus..” – (Rm. 1:21)

Por fim, se o homem é condenado pela sua insensatez, claro está que sua consciência foi levada em conta, pois escolheu seguir a negligência.

Como vimos com Ananias e Safira, o que implicou responsabilidade foi a consciência da ordem recebida, e o que lhe conferiu a pena foi a desobediência a essa ordem consciente, deixando-se levar pela influência diabólica. Assim, a consciência é o crivo pelo qual devem ser escrutinadas as influências, pois ainda que sugiram ações, elas não responderão pelo que vier a ser atitude, e sim a livre vontade.

 

4- CULPA

Não é evidente que, exercendo Deus o juízo na aplicação da justiça, fica caracterizada a culpa? – Deus não tem o culpado por inocente (Naum 1:3) – Se o homem fosse completamente incapaz de decidir pelo certo ou errado, jamais Deus o condenaria. Os que atribuem a Deus a responsabilidade de todas as coisas deturpam o verdadeiro significado de seus atributos.

Onipotência significa que Deus pode todas as coisas, porém, não está “obrigado” a fazer todas as coisas; pois até mesmo “poder e não fazer” é parte desse mesmo atributo.

Onisciência significa que Deus sabe de todas as coisas e, porém, isso não o impede de permitir que as coisas sigam seu curso natural obedecendo às leis que Ele mesmo criou, como também as conseqüências por sua observância ou negligência;

Deus não é escravo de seus atributos mas os detém porque é, simplesmente, Deus. Se Deus “controlasse” tudo como sugerem (sendo Ele a causa e efeito de tudo), teremos que dar a Ele o ônus do caos, da guerra, da fome, das pestes, tragédias, e até mesmo da existência do próprio pecado. Aliás, isso não é novidade, pois algumas correntes teológicas já ensinam tal absurdo.

Não foi o “plano de Deus” que deu origem ao pecado, mas a desobediência do homem. (Rm. 5:19) – E a cruz foi o meio pelo qual Deus os reconcilia consigo mesmo (João 3:16, Cl. 1:20, demais refs.), e não o meio pelo qual o homem é separado dEle. –

A humanidade quando responsabiliza a Deus pelos erros que ela mesma comete, não tem nenhuma atitude nova ao fazer isso; visto que já desde o Édem o homem culpa a Deus pelos erros que ele mesmo comete, tentando assim transferir sua responsabilidade:

“…Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. E disse o Senhor a mulher: Por que fizeste isso? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.” – (Gn. 3:11-13) –

Assim, nenhuma semelhança com os tempos atuais é “mera coincidência”.

Deus criou o homem e o proveu de responsabilidade e inteligência para que assim respondesse pelos seus atos, pois responsabilidade presume racionalidade. Deus criou o homem perfeito e lhe deu autonomia até mesmo para se tornar imperfeito. Da mesma forma Deus criou um anjo, e esse se tornou um demônio. Tanto um quanto o outro são fruto de suas próprias ações, e não é a onisciência de Deus que regula as ações de ambos, mas o livre poder de vontade que lhes foi concedido.

Portanto, sem dúvida alguma, ainda que Deus saiba de antemão o que “eu” irei fazer, sua onisciência NÃO gera nada, senão ciência de minhas futuras ações; porém, a responsabilidade ainda é minha.

 

5- FÉ E SALVAÇÃO

Como visto inicialmente, a salvação reside na GRAÇA mediante a revelação de Cristo em nós, e por meio da FÉ em resposta a essa graça proposta, que só poderá ser concreta por meio de atitudes que a demonstrem.

Logo, a salvação é um PROCESSO:

FUI SALVO: (João 5:24) “..quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.”  –

ESTOU SENDO SALVO: (Hb. 3:14) “…Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até o fim.” –

SEREI SALVO: (Rm. 8:24)“…Porque em esperança somos salvos.”

Tudo ocorre e continua acontecendo ENQUANTO o indivíduo permanecer  na FÉ.  Acaso foi à toa que Paulo diz que SOMENTE após cumprir a Carreira e guardar a fé, é que a coroa da justiça lhe estava guardada? (2 Tm. 4:7,8) – Logo, por ter ido até o fim, e somente “a partir daquele momento”, a sua coroa lhe estava guardada.

Estamos salvos e dentro dos planos de Deus enquanto estivermos na fé. Assim como Paulo, guardemos a fé nós também. Até o fim. Caso contrário, também nós poderemos ser cortados. (Rm. 11:22)

A causa da salvação é a graça. O efeito da salvação é a regeneração. A fé é o meio por onde a causa e o efeito se efetivam. A fé vem pelo “ouvir”, e o “ouvir” (revelação) pela Palavra de Deus. (Rm. 10:17) – A REVELAÇÃO de Deus opera o convencimento das verdades ao pecador,  o qual responderá com a FÉ que, por sua vez, se evidenciará pelas atitudes.

Na salvação, toda “iniciativa” é de Deus, por que é pela graça. Mas a resposta do homem a essa graça proposta, é a fé. Não há quem creia em Jesus senão pela REVELAÇÃO de Deus. Isso é claro. Porém, há os que vão a Jesus, mas não permanecem:

“..Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele.” – (João 6:66)

O que mantém um “discípulo” (ovelha) no caminho é a fé e, enquanto estiver nela, nada poderá o separar de Cristo. No entanto, se abandonar a fé, tudo abandonará. – Assim como em Rm. 8, onde a idéia é que nada pode separar o salvo do amor de Deus, excetua-se, obviamente, o próprio indivíduo. Por que? Porque o amor de Deus por nós é incondicional, mas o amor do homem por Deus não. Assim, de fato nada pode, no que diz respeito a Deus,  nos separar do amor dEle, exceto, nós mesmos. Não é Deus que toma de volta a salvação de alguém, mas é esse alguém que a joga fora.

Sendo então a fé uma resposta, ela não é, nesse aspecto, um dom. 1 Cor. 12:11 é uma referência ao “dom da fé” como uma ação extraordinária, a exemplo de 1 Cor. 13:2. – Os dons, segundo o próprio contexto, são dados a cada um para o que for “útil”; – assim, se a fé é um dom, nem todos que estão na igreja a tem, visto que  nem todos “operam milagres, ou são profetas, tem dons de curar, falam diversas línguas, interpretam, etc. – (1 Cor. 12:29,30)

Além disso, até mesmo os próprios dons se operam por meio da fé. (Rm. 12:6) – Ela também não é “meramente” uma resposta. A fé é “a”  resposta que faz toda a diferença na vida dos que não recebem a graça de Deus em vão.  NÃO É A FÉ QUE TEM O HOMEM, MAS É O HOMEM QUE TEM A FÉ. Se isso não fosse assim, ela não poderia ser resistida (assim também como a graça pode ser resistida), como podemos ver claramente nos versículos a seguir:

“…E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes RESISTEM  à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e REPROVADOS quanto à fé.” – (2 Tm. 3:8)

“..Examinai-vos a vós mesmos, SE PERMANECEIS na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? SE NÃO É QUE JÁ ESTAIS REPROVADOS.” – (2 Cor. 13:5)

“..Tendo já a sua condenação por haverem ANIQUILADO A PRIMEIRA FÉ.” – (1 Tm. 5:12)

Portanto, a fé NÃO é um dom. A referência de Ef. 2:8,9 diz respeito à graça em relação a salvação ser um dom de Deus, mas a fé é a resposta a essa proposta de Deus. As obras não justificam a Salvação, mas justificam a fé, visto que a fé sem obras é morta (Tg. 2:17), mas pelas obras a fé é aperfeiçoada (Tg. 2:22) – Portanto, ninguém pode se gloriar na salvação, visto que ela é um dom de Deus, a qual se efetiva por meio da fé.

A fé justifica, e a falta dela mantém a condenação. Também se o livre arbítrio não é real, por que o justo tem que viver da fé? E se a fé não é atitude dos homens, por que a falta dela pode levar o homem ao inferno? Fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem (Hb. 11:1). Temos uma “galeria da fé” nesse mesmo cap. 11 de Hebreus, onde homens e mulheres são lembrados por sua fé que foram evidenciadas em suas AÇÕES. Não foi a “eleição” a causa das suas ações, mas a sua fé. Pela graça tiveram a revelação da verdade, e creram, e pela fé foram justificados.

A chamada “fé salvífica” ocorre na REVELAÇÃO da verdade, pelo convencimento do Espírito Santo (João 16:8) – No entanto, a RESPOSTA à essa revelação (graça) é a FÉ. – Essa, por sua vez, NÃO subjuga a vontade do homem à obediência, visto que a graça de Deus é PROPOSTA e não IMPOSTA (1 Pe 1:13) –  Pedro exorta sobre obediência, não sujeição aos moldes mundanos, e a sermos santos como é santo aquele que nos chamou, etc.. e todas essas exortações denotam cuidado em não nos  desviarmos do que nos foi “proposto”, “entregue”, “comunicado”, “anunciado”, “apresentado”. Logo, a graça NÃO é irresistível.

A dificuldade de muitos em compreender isso se dá pelo entendimento de que a graça é segundo o Papa de Genebra. Porém, não é. Se a graça fosse realmente “invencível”, a Apostasia seria uma utopia. Porém, há muitas referências sobre ela nas Escrituras.

Temos exortações freqüentes à igreja de que não se desviassem da graça, mas que nela “permanecessem” (At. 13:43);  como também não a recebessem em “vão” (2 Cor. 6:1);  que nela deveriam crescer (2 Pe 3:18), e que muitos a abandonaram (Gl. 5:4), e que também cuidassem para que ninguém tivesse uma coração mal e perverso, para se apartarem de Deus (Hb. 3:12). Vemos então por muitas referências que a graça é perfeitamente resistível.

Pela graça sois salvos, por meio da fé!

 

6- DEUS É AUTOR DO PECADO?

NÃO É a morte dos homens que glorifica a Deus, mas a VIDA, visto que todos já estão mortos em seus delitos e pecados (Ef. 2:1). –

“..Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” – (João 3:16)

Deus trabalha com leis e princípios. O universo funciona em cima de leis. Se Deus saísse de férias, ninguém saberia, pois tudo continuaria funcionando corretamente segundo as leis que Ele determinou. A Bíblia diz que “todos pecaram” porque o pecado entrou no mundo por conta da desobediência de um homem (Rm. 5:12).

Logo, o pecado é conseqüência de desobediência, e não uma “criação” de Deus, como afirmam alguns. Mas os que insistem nessa tolice de que Deus criou o pecado, violam Romanos 5 dizendo que o pecado entrou no mundo porque Deus o criou, e no mundo o introduziu, usando como “bode expiatório” a Adão, para que então o homem, e não Deus, levasse a “culpa”. Sproul, Calvino, Arthur Pink, Zwinglio, William Shedd, Edwin Palmer, etc., assim como outros, quando querem entender que Deus é o “autor” do pecado, vão completamente contra o que diz a própria Escritura (Sl. 92.15; Tg. 1.13; 1 Jo. 1.5).

“…que sociedade tem a justiça com a injustiça? Que comunhão tem a luz com as trevas?..” – (2 Cor. 614)

Deus entregou Israel muitas vezes nas mãos de seus inimigos, para assim operar seu juízo. E, da mesma forma, as nações inimigas foram também submetidas a juízo pela sua malignidade. Isso apenas coloca a Deus em seu lugar de juiz, e não como um déspota injusto, o que não existe nas Escrituras. Deus não é o autor do pecado, como também não é autor do mal, exceto a  “adversidade”, “calamidade” e “angústia”,  na expressão do JUÍZO sobre as más obras dos homens.

O pecado não se originou na terra, mas na rebelião nos céus, jamais sendo resultante da ação de Deus. Deus criou uma árvore cujo fruto era a “ciência” do bem e do mal, ambos existentes antes da fundação do próprio jardim, e não uma árvore cujo fruto fosse o “bem e o mal”. – Assim o “mal” criado por Deus é a adversidade em resposta às más ações humanas, não sendo criado como ação primária, mas resultante da ausência do bem, que Deus criou.

A mentira existe? Quem a criou? Segundo Jesus, é o diabo o pai da mentira. Porém, segundo alguns, Deus é o criador de tudo. Logo, temos aí uma nada razoável “sociedade” entre Deus e Satanás. Será? Não, certamente. Logo, definitivamente, Deus não é o autor do pecado.

Se dissermos apenas o que “a Bíblia diz”, jamais diremos que o pecado é criação de Deus. Isso é “ilógico”, nefasto e herético, pois é completamente CONTRA  a Palavra de Deus (Sl. 92.15; Tg. 1.13; 1 Jo. 1.5) (2 Cor. 614).

 

7- ENDURECIMENTO DA PARTE DE DEUS

Todo endurecimento da parte de Deus é uma REAÇÃO, e não uma ação deliberada. Até mesmo Is. 6:9, mencionado em At. 28:27, é uma declaração de juízo de Deus em resposta às transgressões de Israel, quando diz:

“…vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis.” –

Porém, extraordinariamente equivocados, muitos afirmam que Deus, deliberadamente, fechou o entendimento dos incrédulos, para que eles não cressem. Mas é simples verificar que àqueles a quem não foi “dado conhecer os mistérios do reino dos céus” já haviam reagido com incredulidade à essas verdades de Deus, como se vê noutra parte:

“…Porque o coração deste povo está endurecido, e OUVIRAM DE MAU GRADO com seus ouvidos, e FECHARAM seus olhos; para que não vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e compreendam com o coração, e se convertam, e eu os cure.” – (Mt. 13:15)

Portanto, o “endurecimento da parte de Deus” é uma REAÇÃO à incredulidade já existente, e que resiste à revelação da verdade, e não uma ação deliberada de Deus, como se “escolhesse” quem deva crer ou quem deva descrer.

De igual modo, com Faraó, Deus pontencializa nele o que ele já era: duro! Por cinco vezes o próprio Faraó se endureceu contra Israel antes mesmo que Deus o endurecesse (Êx 7.13; 7.22; 8.15; 8.32; 9.7) – Deus não criou um coração duro em Faraó, mas apenas o entregou à sua própria dureza.

Até mesmo Calvinistas concordam com isso:

“..Tudo o que Deus tem a fazer para endurecer o coração de uma pessoa cujo coração já é desesperadamente mau é ‘entregá-la a seu pecado’. Encontramos este conceito de julgamento divino em toda a Escritura” – (Sproul, “Eleitos de Deus”, pág. 106)

“Não é que Deus coloque sua mão sobre elas para criar o mal novo em seus corações; Ele meramente remove delas sua santa mão de restrição, e deixa que façam sua própria vontade (…) Tudo o que Deus tinha a fazer para endurecer mais a Faraó era remover seu braço. As inclinações malignas de Faraó fizeram o restante” – (Sproul, “Eleitos de Deus” – pág. 107)

De igual modo também Deus não incitou a Davi para que pecasse contra ele. O cap 24 de II Samuel inicia dizendo que “a ira do Senhor TORNOU a se acender contra Israel”, assim como ocorrera no cap 21. O fato é que Israel muito já ofendera a Deus, e esse pecado de Davi tornou-se um pretexto para uma punição geral. É completamente descabido pensar que Deus, sem nenhum motivo, manipularia Davi a pecar contra Ele, para então exterminar uma parte do povo. –

Porém, como se sabe, as punições de Deus estão SEMPRE fundamentadas nas MÁS ações do homens. SEMPRE!

 

8- ONISCIÊNCIA DE DEUS

A onisciência de Deus não gera, nem estimula ações. Os homens vão ao inferno pela incredulidade deles, e tal incredulidade não está vinculada à onisciência de Deus. Ele,  por ser Deus, sabe de todas as coisas, mas ninguém poderá dizer que está no inferno porque  “o Senhor sabia!”. Esse paradoxo de Epicuro é nulo.

O fato é que o Evangelho é pregado a toda criatura (Mc. 16:15),  mas nem toda criatura há de crer nele.  E ainda que Deus saiba quem crerá e quem resistirá, isso não o torna culpado por “deixar” nascer os que hão de resistir a Ele.

É o mesmo que condenar as montadoras por acidentes envolvendo motoristas bêbados. A culpa não é do veículo, mas do motorista. Não produziremos então automóveis porque alguns se machucam? E o que diremos das estimativas de morte tão comuns à engenharia de construções?

Acaso desistiu-se de alguma obra por conta da estimativa de que alguns morreriam nela? Abortou-se a construção do canal do Panamá por conta dos milhares de funcionários que ali morreram? Não. E acaso deixará o Qatar de preparar-se para ser sede da copa de 2022, por estimar que cerca de 4 mil pessoas morrerão nas construções que já foram iniciadas? Logo, Deus deveria não criar o homem, por saber que muitos deles não se salvariam?

Vemos então, outra vez, a célebre mania de transferir a Deus as próprias culpas. Assim, os que vão ao inferno o fazem por livre vontade, pois resistiram à verdade. E o fato de Deus ter ciência de quem sejam esses, não o torna cúmplice, nem culpado, visto que a resistência parte do homem em relação a Deus, e não de Deus em relação ao homem, conforme se pode comprovar na cruz de nosso Senhor.

Sendo Deus onisciente previu a queda, e certamente a cruz não foi um “plano B”, mas o ÚNICO plano para solução do pecado e reconciliação do homem para com Deus. Assim, Deus não criou a queda para então criar a cruz, mas a cruz é a solução para a queda.

 

 9- DEPRAVAÇÃO TOTAL

Nascemos sob a natureza pecaminosa. Isso não é escolha, é herança. No entanto, eu posso vir a ser de OUTRA natureza, a Espiritual, caso responda à graça de Deus por meio da fé. Logo, ninguém está “predestinado” à incredulidade. Estarmos todos destituídos da glória de Deus é uma questão de natureza. Porém, MORRENDO para essa natureza e nascendo de novo, é possível, então, ser de OUTRA natureza, a espiritual. Isso não significa que na graça o pecado deixa de existir, pois ele não é somente uma coisa que Jesus perdoou na cruz, mas é o que rege a natureza humana que ainda possuímos mesmo regenerados, e por isso é preciso resistir a ele, sendo  governados pelo Espírito de Deus, e não “obedecendo” mais aos desejos da carne (Gl. 5:16).

O sacrifício de Jesus na cruz nos dá a condição de alcançarmos o “perdão” de Deus mediante nosso “arrependimento, confissão e conversão” (Lc. 13:5, At. 3:19) e assim sermos reconciliados com Deus por meio da fé em Jesus Cristo, (Ef. 2:16, Rm. 5:10) pois, mesmo Deus tendo amado o “mundo inteiro” (João 3:16), poucos são os que se salvam, visto que muitos, mesmo “crendo”, não deixam de praticar a iniqüidade (Lc. 13:23-27), e assim, não alcançam a vida eterna, mas a morte eterna. Estar na graça não significa estar “livre do pecado”, mas sim de não ser mais “dominado” por ele (Rm. 6:14).

Logo, MORRER para essa natureza é uma escolha minha, e não uma determinação divina, visto que a Salvação não é um decreto, mas uma proposta.

A depravação total como algo decretado da parte de Deus é uma idéia completamente Calvinista, e não cristã. Alias, é a história que diz sobre algumas ações de Calvino que, de maneira alguma, pode encontrar sustentação nos ensinos de Cristo ou mesmo ser verificada na vida da igreja ao longo de todo o NT;  como é o fato de agir violentamente contra indivíduos de discurso contrário. Nenhuma ação de um cristão genuíno pode ser explicada pelo que “ocorria em sua época”, ou na argumentação ingênua de que “ele cria que estava defendendo o Evangelho”.

É pela prática do que está escrito que o cristão pauta as suas atitudes, inclusive suas ações em “defesa” do Evangelho. E alguns aspectos da doutrina da graça compreendida por Calvino é tão defeituosa quanto a sua maneira de “defender” a verdade, não lançando mão da única arma para isso: O Evangelho.

A relevância é que a fé altera os fatos. E a fé, por ser uma resposta à graça, anula a idéia de que há predestinados à incredulidade, visto que Deus quer que todos os homens se salvem e que venham ao conhecimento da verdade. (1 Tm. 2:4, Ez. 18:23)

É, inclusive, uma incongruência afirmar que há predestinados por Deus à incredulidade, quando a própria Escritura revela que o desejo de Deus é que todos venham ao conhecimento da verdade, e se salvem (1 Tm 2:4). E se o próprio Deus deseja que o homem “venha ao conhecimento da verdade” e se “salve”, é de se estranhar que tal afirmação parta justamente de quem deveria “dar esse conhecimento”.

Isso confirma que a REVELAÇÃO da verdade de Deus é dada aos homens, mas nem todos RESPONDEM por meio da fé à essa graça. Caso contrário, teremos que afirmar que Deus “quer que todos se salvem”, mas ele mesmo impede que isso aconteça.

Logo, onde está o “erro”? Em Deus, ou no Calvinismo? No Calvinismo, certamente. Como haveria depravação total, se há revelação? Pois se há depravação total, não há revelação de qualquer espécie. Nem geral, nem especial. Mas, havendo revelação, ela gera responsabilidade pois essa é cobrada dos homens, e resulta em condenação.

Debruçar no balcão da “revelação geral ou especial” não muda nada. O homem é cobrado por sua resistência à Deus, visto que, geral ou especial, tal revelação lhe é dada. E se o homem está sujeito à revelação, também está sujeito a confessar a existência de Deus, o que demonstra que a depravação é total, mas não absoluta. Entendamos essa “parcialidade” não como sugere o semi-pelagianismo, visto que não há cooperação do homem para com a graça, mas que, uma vez convencido da verdade pela iniciativa de Deus, o homem é capaz de responder à essa revelação, o que o torna então responsável pela resposta que der: ou crer, ou resistir.

É por isso que Jesus “cobrou” a fé muitas vezes dos homens, e dos seus discípulos (Mc. 4:40; 11:22; João 3:16). – Por que haverão de amargar mais duro juízo as cidades impenitentes, visto que elas não tem responsabilidade em não terem crido nos sinais operados por Jesus? (MT. 10:14,15; 11:23,24); E se não há responsabilidade, como pode haver culpa? E se a depravação é absoluta, diremos então que nesses casos Jesus  cobra dos homens o que eles não tem para dar?

Da mesma forma, como explicar que é possível o homem ser honesto, sensato, ter afeto natural, primar por ordem e decência, amar o próximo, etc. se a depravação for absoluta?  Pode a depravação absoluta gerar ações justas como essas? De onde vem essa “inclinação” para as coisas corretas e justas na vida de um “não regenerado” ?

Se a capacidade do homem fosse completamente depravada, teríamos um mundo dividido entre dois grupos: Os Cristãos, e os depravados (as prostitutas, idólatras, invejosos, homicidas, bêbados, glutões, parricidas, matricidas, etc). – Porém, nem todo descrente se enquadra nos padrões desse segundo grupo, o que também não invalida a depravação total. –

Portanto, não se nega que a natureza do homem seja caída, mas também não se deve negar que no homem há consciência, a qual Deus lhe deu, e por ela requer-se responsabilidade, por onde então se imputa a culpa.

 

CONCLUSÃO

A Salvação reside na GRAÇA mediante a revelação de Cristo em nós, e por meio da FÉ em resposta a essa graça proposta, que só poderá ser concreta por meio de atitudes que a evidenciem.

Portanto, a Salvação vem de Deus (Graça), mas a resposta  a essa salvação vem de nós (Fé). E a graça não é imposta, mas proposta (1 Pe 1:13). E por ser proposta, precisa ser aceita; e uma vez aceita, precisa ser mantida, e isso, até o fim. E, por sua vez, ir até o fim não estabelece “condições” à graça, mas à salvação.

 

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