Estudos Bíblicos

Inspiração e Inerrância das Escrituras

O Caráter de sacralidade de um livro enfrenta o processo histórico, com interferência de fatores: literários, sociais e teológicos. Com o NT isso não foi diferente. Apostolicidade, conteúdo espiritual, exatidão doutrinária, uso, e inspiração divina, foram fatores usados para determinação do Canon.

O fato de alguns textos não serem encontrados em alguns manuscritos, não significa que ele não seja, de fato, genuíno. – Aliás, os textos “mais antigos” (TC, texto crítico), incluindo os códices Vaticano e Sinaíticos, etc., são os “minoritários”, ou seja, estão fundamentados, basicamente, em 5 manuscritos. – O fato de serem tão antigos e tão “conservados” significa “pouco uso”, e isso depõe contra esses manuscritos, pois eles poderiam ser considerados pela igreja primitiva como “cópias ruins”.

Em contra partida, o TR (texto recebido), está fundamentado em mais de 5.000 manuscritos, e ainda ter o testemunho dos pais que corroboram com esses manuscritos, e não com o TC.

Portanto, todos os textos EXISTEM, ou em um, ou em outros manuscritos. Quanto aos que você citou, nenhum desses textos oferecem perigo à doutrina Cristã, pois tudo o que eles ensinam, podem ser verificado e embasado em outras passagens do NT.

JOÃO 7:53, 8:1-7 (Mulher adúltera) – A PERÍCOPE DA ADÚLTERA (PA) Consta do códice D, minoritário. Foi considerado pela Vulgata de Jerônimo, e desde muito cedo aceito pela comunidade Cristã, e até hoje consta de todas as versões.

Jerônimo declarou: “no Evangelho segundo João, em muitos manuscritos em grego e latim, encontra-se a história da mulher adúltera que foi acusado perante o Senhor.” – (“O Diálogo contra os pelagianos”, (2.17), trad. John N. Hritzu, em Saint Jerome: dogmática e polêmicos Works, (Washington DC, Católica U. Press of America, 1965), p.321. –

Agostinho (ca.430) disse em seus escritos: no sentido de que “certas pessoas de pouca fé, ou melhor, os inimigos da verdadeira fé, temendo que eu suponho, para que suas esposas deve ser dada a impunidade no pecado, removida dos manuscritos do ato de perdão para com a adúltera do Senhor, como se Ele, que disse: “não peques mais” tinha permissão para pecar “; – (Agostinho: Tratados sobre Casamento e Outros assuntos (NT:Padres da Igreja, 1955), P. 107.

Ambrósio (ca.397): “..o Evangelho que tem sido coberto, poderia produzir extraordinária ansiedade na inexperiente, em que você tem notado uma adúltera apresentada a Cristo e também rejeitou sem condenação..” – (Corpus Scriptorum

Ecclesiasticorum Latinorum, vol. 32: S. Ambrosio Opera, Parte 2, ed. Carolus Schenkl (Vindobona: F. Tempsky, 1887), pp 359-60. –

Ainda que o clamor contra a existência do texto antes do século 5 não seja pequeno, até mesmo os que isso defendem não negam que a história seja verídica, assim como declara Hort (Westcott & Hort, O NT no vol Grego Original 2: Introdução (Macmillan & Co. 1881) p. 87 do Apêndice); – E se a história é considerada verídica, como negar categoricamente que ela fosse parte do Evangelho de João?

Para Hoskyns, a perícope trata-se de “um episódio autêntico no ministério de Jesus (CE Hoskins, O Quarto Evangelho, ed. FN Davey (Londres: Faber & Faber, 1940 – P566); – Morris diz o mesmo, alegando que “em toda a história da igreja já decidiu-se que esta pequena história é autêntica.” (P.883); – Metzger, ainda que defende a adição, o faz igualmente, dizendo que o texto “tem todos os sinais de veracidade histórica.” – (P.220)

Logo, uma narrativa substancialmente histórica, não teve nenhuma dificuldade em encontrar o seu caminho para o Canon, e ganhar aceitação generalizada. No entanto, considera-se também pela crítica, que a narrativa pode ter sido deletada dos mss antes até do século 2, conforme observa Scrivener, crítico textual, e afirma que as piores corrupções textuais do NT, aconteceram dentro dos primeiros cem anos depois que foram escritos (FHA Scrivener, Introdução às críticas da 4ª ed NT. E. Miller (Londres:

George Bell & Sons, 1894) vol 2 p 264. Com isso também concorda o crítico CE Cowell, dizendo que” a esmagadora maioria das leituras foram criadas antes do ano 200 – (EC Colwell, “Método de estabelecer a natureza dos tipos de texto de mss do NT”, em Estudos de Metodologia da crítica textual do NT, – vol 9 do NT Ferramentas e Estudos, ed. BM Metzger (Grand Rapids: Eerdmans 1969) p 55;

GD Kilpatrick, também crítico textual, afirmou: “..Podemos entender que até o final do século II dC, a opinião cristã tinha-se endurecido contra a alteração deliberada do texto, considerando-a uma alteração inofensiva. A mudança de opinião foi conectada não com o status canônico do Novo Testamento, mas com a reação contra o remanejamento do texto por hereges do segundo século.” – Este argumento confirma, também, a opinião de H. Vogels, que diz que a grande maioria das alterações deliberadas em texto do Novo Testamento tinham mais de 200 dC. – Em outras palavras, surgiram no período AD 52 200. – Logo, consideram que a adulteração do texto de João, deletando a perícope da adúltera, ocorreu antes de 200, em épocas mais remotas na transmissão do Evangelho. – (GD Kilpatrick, “Aticismo e o texto do NT grego” – em Neutestamentliche Aufratz: ed. J. Blinzler, O. Kuss, & F. Mussner (Editora: Friedrich Pustet, 1963) p 131;

Portanto, uma vez alterada as cópias que deram origem aos nossos mss mais antigos, como o P66 e o P75, por exemplo, temos então o grande dilema aí exposto. Além disso, a crítica textual hoje pontua que o fato de manuscritos antigos estarem em bom estado de conservação, pode indicar “baixa qualidade” da cópia, e por isso o “pouco uso” em seu tempo. – Vale a pena também considerar, que os textos tomados por base nas 36.289 citações dos pais, todas se fundamentam nos textos que nós hoje determinamos como os “majoritários”, os mais recentes (cerca de 5600 originais “não autógrafos). – Segundo também considera os eruditos, uma das principais falácias da crítica textual moderna, é que os mss sobreviventes antigos são “evidência” dos que não sobreviveram, tratando-os como se fossem verdadeiramente a expressão do texto original que lhes deu origem. – Porém, como já abordado, os escritos dos pais dos primeiros séculos NÃO correspondem aos nossos textos “mais antigos”, mas às nossas cópias mais recentes.

Assim, o P66 e P75, do terceiro século, assim como o Aleph e o B, do quarto século, são quatro textos “egípcios”, que assumiram uma posição de fiel representação de que, supostamente, são textos fiéis aos originais, desconsiderando TODAS as primeiras cópias que se perderam; o que é um absurdo! A não ser que se diga que entre 200 e 400 não existiram mss egípcios.

Há também o fato da falta de qualquer independência textual significativa nesses quatro textos “antigos”. O P75 e B são parentes próximos, e a afinidade entre Aleph e B é também conhecida dos críticos textuais. O P66 também mostra muitos acordos significativos com os outros três. Logo, é perfeitamente possível sugerir que todos os quatro textos podem ser derivados de UM único exemplar dos pais que se encontra longe do que foi a origem da transmissão. Logo, é possível visualizar a perícope como autêntica, histórica e original, visto que os minoritários não são uma barreira insuperável.

CONCLUINDO, sem dúvida alguma esse é um dos trechos mais disputados da críticatextual. E nada do que se disser aqui irá trazer alguma novidade, além de tudo o que se disse anteriormente. – Assim, não há porque afirmar que a perícope da adúltera não seja um texto “canônico”, ou que ‘não existiu em nenhum dos Evangelhos” até o quinto século, tomando por base quatro fontes dos séculos 3 e 4. – Até mesmo no “Comentário Textual de Metzer” (pag.220,221), ao examinar as evidências textuais dos manuscritos que incluem a perícope, ele diz:

“É, obviamente, um pedaço de tradição oral que circulou em certas partes da Igreja Ocidental e que foi posteriormente incorporada em vários manuscritos em vários lugares. A maioria dos copistas, aparentemente, achava que iria interromper a narrativa de João antes de ser inserido após 7,52 (DE (F) GHKMU Gama Pi 28 700 892 al).

Outros colocaram após 7,36 (Ms.225) ou após a 7,44 (vários MSS georgianas.) Ou após 21,25 (1 565 1076 1570 1582 braço MSS) ou depois de Lc 21,38 marcado com asteriscos, indicando que, embora os escribas o incluíram no texto, eles estavam cientes de que lhe faltava credenciais satisfatórios.” – Já, Scholz, enumera 290 cursivos, que contêm o parágrafo sem traço de suspeita; – Von Solden, enumera , pelo menos, 450. (von Soden, Die Schriften, Teil 1, Abteilung 1, pp. 88-89) – Além disso, versões como a Antiga Latina (entre segundo e quarto século), a Copta (terceiro e quarto), e a Siríaca (do quarto século) contém a perícope da adúltera, o que a torna consistente, em vista de sua antiguidade. – Consideremos também, que as evidências das versões apenas evidenciam a inclusão, ou omissão do texto.

Exerpted de: Zane Hodges, problema Passagens do Evangelho de João Parte 8: A mulher apanhada em adultério (João 7: 53- 08:11): o texto, BSAC 136 (1979) 318- 332

1 JOÃO 5:7

Consta no Manuscrito Montfort, na Universidade de Dublin, e no Códice WIZANBURGENSIS do séc. VIII.  Está presente também nas versões latinas, e com poucas exceções em TODOS os códices destas versões, tanto na Vulgata quanto no Antigo Latim. É preciso considerar que o Antigo Latim foi traduzido do grego numa época bem primitiva, certamente dentro dum século da morte dos Apóstolos. A doutrina da Trindade NÃO depende desse versículo para ser fundamentada, pois é exaustivamente demonstrada ao longo de TODA a Escritura.

MARCOS 16:9-20

Também não está presente nos mais “antigos” manuscritos (Sinaítico e Vaticano), mas quase TODOS os unciais e cursivos, outras versões e escritos patrísticos, incluem os vers. de 9 a 20. De 1800 manuscritos em grego de Marcos 16, 1796 contêm os versículos de 9-20; – Eapenas três mss, o Sinaiticus [Aleph], o Vaticanus [B], e o 304 não contêm a passagem;

Portanto, todos os doze versículos de Marcos 16:9-20 constam em todos os 2.000 lecionários gregos; em todos (exceto um) dos 1.000 manuscritos sírios; em todos (exceto um) dos 8.000 mss em latim; como também de todos (exceto um) dos mss cóptas; e de praticamente todas as versões antigas (a partir de 150 ); etc.

(“The Identity of The Greek New Testament” (Editora Vida: “Qual o Texto do Novo Testamento Grego?”), Wilbur Pickering, capítulo 7.2.8; apêndice F; apêndice H.2.)

JOÃO 5:1-7

Igualmente como nos outros casos, esses versículos se encontram nos manuscritos majoritários do texto Recebido, e não nos minoritários, do Texto Crítico.

MATEUS 17:21

Essa porção do texto, assim como também se repete em Mc. 9:29, não consta nos códices Vaticano e Sinaíticos, e por isso são omitidos na ARA.

DIFERENÇAS ENTRE OS CÓDICES –

Problemas no TC (Texto crítico): Apocalipse não consta de B. – Marcos 16:9 – 20 não consta de Aleph nem de B. – Aleph “esticou”, aumentou as letras do texto antes deste trecho, para preencher o espaço vazio deixado por esta omissão. B simplesmente deixou o espaço em branco! – Por outro lado, constam de Aleph e B: a Carta de Barnabé, Bel e o Dragão e, somente em Aleph, os Pastores de Hermas. – Estes esboçam, entre outras questões, o Anticristo e seu reino, como [sendo] algo benéfico. – Assim, tanto Aleph como B, subtraíram ou fizeram acréscimos ao texto tradicional.

Em relação ao Texto tradicional, há 6000 palavras à menos; 2000 palavras alteradas; outras 2000 palavras acrescentadas; 45 versículos completos retirados (ou desconstruídos com colchetes, ou notas de rodapé); subtraíram 48 vezes o nome “Jesus”, 40 vezes o nome “Cristo”, 28 vezes o nome “Senhor”, 3 vezes o nome “Cristo Jesus”, 4 vezes o nome “Senhor Jesus Cristo”, 5 vezes o nome “Filho do Homem”, 3 vezes o nome “Filho de Deus”, 20 vezes o nome outros títulos sagrados;

UNIDADE DE CRENÇA PRIMITIVA –

Como sabemos que a “nossa” é a crença verdadeira?

Como é até hoje, TODA a fonte da fé Cristã deve ser, unicamente, a própria Escritura. Somente o NT fundamenta as “doutrinas” Cristãs, e toda a Bíblia fundamenta o cristianismo em seus princípios.

Existem critérios que nos dão a segurança de como sabermos se uma doutrina é ou não genuinamente cristã:

1- Tudo o que a Bíblia realmente diz, ela diz o tempo todo, ou seja, não existe NENHUM princípio ou doutrina que esteja fundamentado em um versículo só.

2- É por meio da própria Bíblia que se interpreta a Bíblia, ou seja, não é com fontes “externas” a ela, mas com as internas. Não se deve ir “além do que está escrito” (1 Cor. 4:6)

Os Ebionitas, por exemplo, são facilmente refutados por Atos 15, no primeiro concílio, cujo cunho principal foi justamente o fator “judaizante” no Cristianismo. A carta aos Gálatas também desconstrói o ebionismo com facilidade.

Assim, da mesma forma que Jesus ao ser tentado pelo Diabo que lhe oferecia “porções das Escrituras” para o tentar, nosso Senhor fez uso de um argumento que todo Cristão deve usar: Não basta dizer “está escrito”, mas, “também está escrito”; Ou seja, é preciso ter um conhecimento amplo de TODA a Escritura, para não se deter em porções aparentemente genuínas, mas que são confrontadas por outras partes da própria Escritura.

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